quinta-feira, 5 de agosto de 2010
NOTÍCIA IMPORTANTE
Conseguimos juntar o útil (blog) ao agradável (site) e agora estamos alimentando uma só barriga. Para ler, escrever, acompanhar, criticar ou qualquer coisa do gênero, siga para o nosso site-blog ou seria o nosso blog-site? ENTRAR
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Com gelo até dinheiro
- Qualquer coisa desce com gelo, até álcool puro... Quer dizer, pensando bem, vodka eu resisto um pouco. É preciso algo mais, tipo uma laranjinha ou um limão.
- Eu tomei muita vodka com açúcar e gelo ontem.
- O gelo anestesia. O açúcar adoça.
- Eu mais sofro de amnésia, nem passo mal. Mas a falta de memória é o ponto fraco da nossa relação (eu e a vodka). Nem sei se essa seria a palavra (memória), acho que perco os detalhes a minha volta... É engraçado. Acho que foi por isso que me roubaram ontem... Tô brincando.O povo é profissional, eu que nem percebi.
- Sim, vodka provoca uma perda da consciência. Por isso eu gosto de vinho, fico tribebada, mas completamente atenta.
- Nunca te vi tribebada. Talvez já, mais tu fica tão atenta que não percebi...
- Sim. Continuo sempre alerta.
- Alerta sempre! Se as pessoas respeitassem a luz amarela nos semáforos, não haveria acidentes.
- Ou se respeitassem a luz amarela em suas intuições. Vodka com açúcar e gelo é morte certa. Ao menos da consciência. O que pode ser bom, mas...
- Por mais que pareça que a preferência é nossa, ou que o tempo seja nosso aliado, coisa impossível, é preciso cautela sempre. Sempre ativos, alertas e felizes, “sorria sempre”.
Tempo.
- Afinal, de que vale a tristeza?
- Nada.
Tempo.
- Se bem que tristeza não tem fim.
- É como dizer que não tem início
- É sim. “Tristeza não tem fim/ felicidade sim”, já diz o samba.
- Falando nisso, sempre há algo que te deixa triste ou feliz, o que muda é a intensidade ou pra onde irá focar o olhar... Eu estou feliz agora, mas posso procurar algo para me deixar triste.
- Eu já acho que não existe nada que me deixe triste. Acho a tristeza apenas falta de felicidade. Quando ela começa, porque ela sim tem começo, a gente esquece da tristeza um pouco.
- Você só estaria renomeando o sentimento, já que é abstrato. E você tem esse direito.
- Não estou renomeando. Reconceituando, talvez.
- No fim são as mesmas coisas. Como somos todos farinha do mesmo saco, umas usadas para bolos ou tortas, e outros apenas para engrossar o angu...
- E quem se importa com o fim?
- Eu não me importo. Se hoje temo a morte é por não ser egoísta como queria. É por pensar que no fim só eu que não vou sofrer.
- Se só você não vai, então isso passa. As pessoas que importam percebem quando você não sofre e se alegram com isso mais do que sofrem por sentir sua falta. Pode demorar, mas acontece. De qualquer forma você jamais saberá. A morte só existe para os vivos.
- Mas gosto mais de viver, espero que Deus leve isso em conta... E gosto do poder que o dinheiro me dá... O bom uso do poder.
- “Bom uso”, sei. Mesmo quando assaltado?
- Sim, porque eu não ligo pra o assalto, o dinheiro serve também pra ser roubado. Porque tudo é bom quando bem usado. Anota isso aí.
- Está bem. Deve ser que nem o álcool com gelo. Vou anotar, então: tudo é bom quando bem usado, até dinheiro.
Tempo. Dinheiro.
- Anotei diferente, mas fica assim. Que que você acha?
“Qualquer coisa é boa quando é bem usada,
com gelo, até dinheiro”.
Cind Canuto
- Eu tomei muita vodka com açúcar e gelo ontem.
- O gelo anestesia. O açúcar adoça.
- Eu mais sofro de amnésia, nem passo mal. Mas a falta de memória é o ponto fraco da nossa relação (eu e a vodka). Nem sei se essa seria a palavra (memória), acho que perco os detalhes a minha volta... É engraçado. Acho que foi por isso que me roubaram ontem... Tô brincando.O povo é profissional, eu que nem percebi.
- Sim, vodka provoca uma perda da consciência. Por isso eu gosto de vinho, fico tribebada, mas completamente atenta.
- Nunca te vi tribebada. Talvez já, mais tu fica tão atenta que não percebi...
- Sim. Continuo sempre alerta.
- Alerta sempre! Se as pessoas respeitassem a luz amarela nos semáforos, não haveria acidentes.
- Ou se respeitassem a luz amarela em suas intuições. Vodka com açúcar e gelo é morte certa. Ao menos da consciência. O que pode ser bom, mas...
- Por mais que pareça que a preferência é nossa, ou que o tempo seja nosso aliado, coisa impossível, é preciso cautela sempre. Sempre ativos, alertas e felizes, “sorria sempre”.
Tempo.
- Afinal, de que vale a tristeza?
- Nada.
Tempo.
- Se bem que tristeza não tem fim.
- É como dizer que não tem início
- É sim. “Tristeza não tem fim/ felicidade sim”, já diz o samba.
- Falando nisso, sempre há algo que te deixa triste ou feliz, o que muda é a intensidade ou pra onde irá focar o olhar... Eu estou feliz agora, mas posso procurar algo para me deixar triste.
- Eu já acho que não existe nada que me deixe triste. Acho a tristeza apenas falta de felicidade. Quando ela começa, porque ela sim tem começo, a gente esquece da tristeza um pouco.
- Você só estaria renomeando o sentimento, já que é abstrato. E você tem esse direito.
- Não estou renomeando. Reconceituando, talvez.
- No fim são as mesmas coisas. Como somos todos farinha do mesmo saco, umas usadas para bolos ou tortas, e outros apenas para engrossar o angu...
- E quem se importa com o fim?
- Eu não me importo. Se hoje temo a morte é por não ser egoísta como queria. É por pensar que no fim só eu que não vou sofrer.
- Se só você não vai, então isso passa. As pessoas que importam percebem quando você não sofre e se alegram com isso mais do que sofrem por sentir sua falta. Pode demorar, mas acontece. De qualquer forma você jamais saberá. A morte só existe para os vivos.
- Mas gosto mais de viver, espero que Deus leve isso em conta... E gosto do poder que o dinheiro me dá... O bom uso do poder.
- “Bom uso”, sei. Mesmo quando assaltado?
- Sim, porque eu não ligo pra o assalto, o dinheiro serve também pra ser roubado. Porque tudo é bom quando bem usado. Anota isso aí.
- Está bem. Deve ser que nem o álcool com gelo. Vou anotar, então: tudo é bom quando bem usado, até dinheiro.
Tempo. Dinheiro.
- Anotei diferente, mas fica assim. Que que você acha?
“Qualquer coisa é boa quando é bem usada,
com gelo, até dinheiro”.
Cind Canuto
terça-feira, 31 de março de 2009
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
O velho e o mar
sábado, 29 de novembro de 2008
Vídeo-aula impublicável
Novembro: Eu (Robert) e Cind cobrindo a mostra CineBH 2008 e, concomitantemente, produzindo o curta Maxs Portes - o sapo que é o tal. Nessa correria toda, esquecemos de fazer um trabalho da faculdade. Fodeu! Mas a professora foi generosa e deixou que fizéssemos uma apresentação via web.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Palavras perigosas
“Nada temos a temer,
exceto as palavras”Rubem Fonseca
Nietzsche já dizia que o problema da humanidade é gramatical, no livro A genealogia da moral, ele vai à raiz de palavras como “moral” e “deus” e analisa o processo de significação e re-significação pelo qual elas passaram ao longo da história. Numa perspectiva peirceana, pode-se dizer que o interpretante do signo deus, já não tem nenhuma relação o objeto de origem. E ao falar em objeto surge outra questão: é muito fácil compreender objetos figurativos, por exemplo, uma árvore. Por mais que o seu interpretante seja variável, afinal existe uma infinidade de espécies de árvores, nós temos a referência visual registrada em nossa memória, de maneira que se torna simples descrevê-la. Porém, quando o objeto de um signo é abstrato, por mais que cheguemos a um interpretante embasado em imagens, como imaginar um beijo ao ouvir a palavra amor, essa compreensão é vaga, pois descrever o amor como sendo um beijo não satisfaz nossa necessidade de compreendê-lo. E enquanto Russell e Gottlob Frege querem preencher o vago buscando uma teoria exata da inexatidão, a sociedade, e principalmente as classes dominantes, trata de materializar a vagueza de certos termos abstratos. Dessa forma podemos ver deus esculpido em Carrara, ou pintado por Michelangelo; os pecados mais graves passam ser associados à morte na fogueira ou um enforcamento em praça pública; o inferno é materializado no holocausto e em outros massacres; o poder pode ser tocado e feito de um metal dourado e relativamente raro ou cédulas de papel moeda; e assim por diante. Mas acontece que a sociedade vive se deparando com palavras vagas e sem referência, por exemplo, a palavra defenestrar, que também despertou o interesse do escritor Luís Fernando Veríssimo. Os europeus, principalmente os do leste, ao ouvirem a palavra possivelmente serão remetidos as históricas defenestrações de Praga, a primeira em 30 de julho de 1419 quando os partidários do reformador da igreja Jan Hus, nessa época liderados por Jan Zelivsky, jogaram pela fenêtre os membros do conselho da cidade por não libertar prisioneiros hussitas; depois em 1618, no início da guerra dos trinta anos, quando os representantes de Fernando II foram atirados pelas janelas do palácio Real de Praga. A palavra era pouco conhecida no Brasil até que nossa, organizada e progressiva, sociedade decidiu dar um uso para ela e de tempo em tempo pessoas são arremessadas pelas ventanas; mas isso só deve durar até o povo se acostumar com o termo.
Robert de Andrade Oliveira
exceto as palavras”Rubem Fonseca
Nietzsche já dizia que o problema da humanidade é gramatical, no livro A genealogia da moral, ele vai à raiz de palavras como “moral” e “deus” e analisa o processo de significação e re-significação pelo qual elas passaram ao longo da história. Numa perspectiva peirceana, pode-se dizer que o interpretante do signo deus, já não tem nenhuma relação o objeto de origem. E ao falar em objeto surge outra questão: é muito fácil compreender objetos figurativos, por exemplo, uma árvore. Por mais que o seu interpretante seja variável, afinal existe uma infinidade de espécies de árvores, nós temos a referência visual registrada em nossa memória, de maneira que se torna simples descrevê-la. Porém, quando o objeto de um signo é abstrato, por mais que cheguemos a um interpretante embasado em imagens, como imaginar um beijo ao ouvir a palavra amor, essa compreensão é vaga, pois descrever o amor como sendo um beijo não satisfaz nossa necessidade de compreendê-lo. E enquanto Russell e Gottlob Frege querem preencher o vago buscando uma teoria exata da inexatidão, a sociedade, e principalmente as classes dominantes, trata de materializar a vagueza de certos termos abstratos. Dessa forma podemos ver deus esculpido em Carrara, ou pintado por Michelangelo; os pecados mais graves passam ser associados à morte na fogueira ou um enforcamento em praça pública; o inferno é materializado no holocausto e em outros massacres; o poder pode ser tocado e feito de um metal dourado e relativamente raro ou cédulas de papel moeda; e assim por diante. Mas acontece que a sociedade vive se deparando com palavras vagas e sem referência, por exemplo, a palavra defenestrar, que também despertou o interesse do escritor Luís Fernando Veríssimo. Os europeus, principalmente os do leste, ao ouvirem a palavra possivelmente serão remetidos as históricas defenestrações de Praga, a primeira em 30 de julho de 1419 quando os partidários do reformador da igreja Jan Hus, nessa época liderados por Jan Zelivsky, jogaram pela fenêtre os membros do conselho da cidade por não libertar prisioneiros hussitas; depois em 1618, no início da guerra dos trinta anos, quando os representantes de Fernando II foram atirados pelas janelas do palácio Real de Praga. A palavra era pouco conhecida no Brasil até que nossa, organizada e progressiva, sociedade decidiu dar um uso para ela e de tempo em tempo pessoas são arremessadas pelas ventanas; mas isso só deve durar até o povo se acostumar com o termo.
sábado, 15 de novembro de 2008
Desabafo
Lá se vão meus pesadelos
Feitos de ódio e falsidade
Lá se vão meus pesadelos
Que se tornaram realidade
Lá se vão meus pesadelos
Sem bom senso e honestidade
Lá se vão meus pesadelos
Carregados de maldade
Vão-se em paz, meus pesadelos
Levando consigo uma verdade
Mesmo vestidos de sonhos
São ruins para humanidade
Lá se vão meus pesadelos
Carregados de rancor
Levam com eles, muita maldade
Vasos, extensão, até tanque...
E quem sabe, um extintor!
Homenagem à ex-sindica do prédio, que além da má administração, levou para sua nova residência vasos de planta, uma extensão elétrica e um tanque velho, de lavar roupas. O extintor foi seu filho, com raiva.
Fábio Almeida
Feitos de ódio e falsidade
Lá se vão meus pesadelos
Que se tornaram realidade
Lá se vão meus pesadelos
Sem bom senso e honestidade
Lá se vão meus pesadelos
Carregados de maldade
Vão-se em paz, meus pesadelos
Levando consigo uma verdade
Mesmo vestidos de sonhos
São ruins para humanidade
Lá se vão meus pesadelos
Carregados de rancor
Levam com eles, muita maldade
Vasos, extensão, até tanque...
E quem sabe, um extintor!
Homenagem à ex-sindica do prédio, que além da má administração, levou para sua nova residência vasos de planta, uma extensão elétrica e um tanque velho, de lavar roupas. O extintor foi seu filho, com raiva.
Fábio Almeida
sábado, 1 de novembro de 2008
Sem título
Minha raiva é tão sublime
Que nem sei o seu motivo
Meu desejo é tão enfermo
Que o seu sintoma é o desespero
Meu amor é tão horrendo
Que as putas me rejeitam
Minha dor é tão minha
Que evito a luta para não dividi-la
Meu fim é tão previsível
Que findo esses versos porcos
Com a mesma raiva do início.
Robert de Andrade Oliveira
Que nem sei o seu motivo
Meu desejo é tão enfermo
Que o seu sintoma é o desespero
Meu amor é tão horrendo
Que as putas me rejeitam
Minha dor é tão minha
Que evito a luta para não dividi-la
Meu fim é tão previsível
Que findo esses versos porcos
Com a mesma raiva do início.
Robert de Andrade Oliveira
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
A DITADURA DA IMPRENSA – Breves Considerações acerca da Espetacularização da Cômica Miséria Humana
Dentre todas as tristes heranças que a censura deixou a nós brasileiros, creio que a pior delas tenha sido o salvo-conduto para a putaria explícita que hoje se lê e assiste, promovida – no sentido mais promovedor da palavra – por grande parte da imprensa, principalmente a televisiva. Diz-se putaria, mas já se pede o necessário perdão às profissionais do sexo, pela analogia de mau gosto, que ameaça desvalorizar suas atividades.
Diante de um mínimo limite ético ou legal, ouvem-se os clássicos gritos de “censura”, coroados com o não menos clássico e falacioso bordão de que “querem novamente acabar com a liberdade de imprensa no Brasil, voltar com os anos de chumbo”. E, enquanto nada se faz a respeito, cornos espetaculosos como os lindembergs, garotinhas vítimas como as eloás e isabellas, além dos bandidões malvadões como os sandros e champinhas continuam invadindo nossas casas, sem pedir licença, e, o que é pior, por meio de um serviço público, que é o “de radiodifusão sonora e de sons e imagens”, conforme se infere do art. 223 da Constituição Federal.
Nenhum direito é absoluto, muito menos o que garante a liberdade de imprensa, que só se legitima na medida em que atende aos interesses da sociedade, ou seja, desde que desempenhe uma função social, que nada tem a ver com a exibição nacional de um adulto mimado apontando uma arma para a cabeça de uma menina. Aliás, como já anteriormente tratado, tal exibição só fomenta a conduta dessas pobres vítimas abandonadas, que querem exibir sua dor a todos e, se possível, aparecer na televisão, gerando um efeito em cadeia, como o que conduziu à vedação ética à cobertura de suicídios. Queria ter nas mãos estudos que apontassem o número de mulheres gravemente feridas ou mortas por seus ex-namorados desde o começo do ano passado, o número de recém-nascidos abandonados desde que uma mulher abandonou seu filho na Lagoa da Pampulha, bem como o número de crianças mortas desde a defenestração da menina Isabella.
Caso ainda não se tenha percebido, ao contrário do que se propala por aí, quem promove a censura hoje é a própria imprensa libertina, que cerceia nossa liberdade de escolha ao exibir ininterruptamente esses crimes e seus atores, protagonistas da quotidiana e cômica miséria humana, os quais somente incrementam a sensação de pânico e insegurança com que já convive a sociedade. E ai de quem for contra.
A esse respeito, disse o filósofo Paul Valadier:
"Isso se percebe, em um primeiro nível, no desvio de sentido da referência aos direitos humanos para dar crédito a práticas libertárias: assim, não somente toda idéia de censura provoca indignação (mesmo se pessoas ou grupos são caricaturados, ou mesmo caluniados, por algum filme ou publicidade), mas a liberdade de expressão é invocada para justificar o que se deve chamar pornografia ou exibicionismo. [...] O apelo à liberdade, inscrito nos direitos do homem, serve de cobertura a formas de licenciosidade [...]." (Moral em desordem: um discurso em defesa do ser humano, p. 42).
Há um discurso perverso, segundo o qual, amparada na proibição à censura, a imprensa se dá o poder de fazer tudo, absolutamente tudo o que lhe for mais conveniente – entenda-se lucrativo –, inclusive cercear nossa liberdade de ler ou assistir programas que nos informem, contribuam para nossa educação e formação cultural, sempre respeitando valores éticos e sociais (art. 221, I e IV, da CF). Eu e você não podemos dirigir em velocidade acima da permitida, não podemos ouvir música em alto volume na madrugada, porque nossos direitos não são absolutos, esbarram nos dos outros. Contudo, somos diariamente obrigados a ouvir a Sônia Abrão, a Luciana Gimenez, a Ana Maria Braga e o Britto Jr. falando ao telefone com um seqüestrador ou opinando, com ar de autoridade, sobre segurança pública. Além disso, somos obrigados a ouvir um Zé Datena chamar pessoas de “imbecis”, como se fosse o dono da sabedoria, do discurso certo, verdadeiro arauto da moral e dos bons costumes. Pornografia pura...
Estava certo o comandante da Polícia Militar paulista – o que não apaga a enorme lambança que lá se consumou –, ainda que tivessem atirado no Histrião de Santo André, teriam sido duramente criticados. Não há escapatória para a fome de tragédia na busca pela audiência, afinal as empresas televisivas, dentre outras, vivem de lucros e, numa competição em que os fins justificam os meios, quanto mais tragédia melhor.
"A capacidade reprodutora de violência dos meios de comunicação é enorme: na necessidade de uma criminalidade mais cruel para melhor excitar a indignação moral, basta que a televisão dê exagerada publicidade a vários casos de violência ou crueldade gratuita para que, imediatamente, as demandas de papéis vinculados ao estereótipo assumam conteúdos de maior crueldade e, por conseguinte, os que assumam o papel correspondente ao estereótipo ajustem sua conduta a estes papéis." (ZAFFARONI, Eugenio Raúl. Em busca das penas perdidas. p. 131).
É de se cogitar se outro não teria sido o desfecho, caso a polícia abandonasse o local, recusando-se a figurar no centro do picadeiro de um circo que já havia sido montado. Enquanto houver quem lhes dê atenção, lindembergs se multiplicarão dia após dia, na tentativa de exibir sua dor e, assim, corresponder da melhor forma possível ao papel que o olhar das câmeras dele espera. Com isso, diante da plena impossibilidade de se cuidar das obsessões e patologias de cada uma das pessoas que compõem a sociedade, deduz-se que o que deve ser contido é justamente o olhar dessas câmeras sedentas de tragédia. Instrumentos legais para isso não faltam, o que leva a crer que o que não há é coragem de enfrentar a inquisição e por ela também ser queimado na fogueira, sob acusação de bruxaria.
Barroso da Costa
Diante de um mínimo limite ético ou legal, ouvem-se os clássicos gritos de “censura”, coroados com o não menos clássico e falacioso bordão de que “querem novamente acabar com a liberdade de imprensa no Brasil, voltar com os anos de chumbo”. E, enquanto nada se faz a respeito, cornos espetaculosos como os lindembergs, garotinhas vítimas como as eloás e isabellas, além dos bandidões malvadões como os sandros e champinhas continuam invadindo nossas casas, sem pedir licença, e, o que é pior, por meio de um serviço público, que é o “de radiodifusão sonora e de sons e imagens”, conforme se infere do art. 223 da Constituição Federal.
Nenhum direito é absoluto, muito menos o que garante a liberdade de imprensa, que só se legitima na medida em que atende aos interesses da sociedade, ou seja, desde que desempenhe uma função social, que nada tem a ver com a exibição nacional de um adulto mimado apontando uma arma para a cabeça de uma menina. Aliás, como já anteriormente tratado, tal exibição só fomenta a conduta dessas pobres vítimas abandonadas, que querem exibir sua dor a todos e, se possível, aparecer na televisão, gerando um efeito em cadeia, como o que conduziu à vedação ética à cobertura de suicídios. Queria ter nas mãos estudos que apontassem o número de mulheres gravemente feridas ou mortas por seus ex-namorados desde o começo do ano passado, o número de recém-nascidos abandonados desde que uma mulher abandonou seu filho na Lagoa da Pampulha, bem como o número de crianças mortas desde a defenestração da menina Isabella.
Caso ainda não se tenha percebido, ao contrário do que se propala por aí, quem promove a censura hoje é a própria imprensa libertina, que cerceia nossa liberdade de escolha ao exibir ininterruptamente esses crimes e seus atores, protagonistas da quotidiana e cômica miséria humana, os quais somente incrementam a sensação de pânico e insegurança com que já convive a sociedade. E ai de quem for contra.
A esse respeito, disse o filósofo Paul Valadier:
"Isso se percebe, em um primeiro nível, no desvio de sentido da referência aos direitos humanos para dar crédito a práticas libertárias: assim, não somente toda idéia de censura provoca indignação (mesmo se pessoas ou grupos são caricaturados, ou mesmo caluniados, por algum filme ou publicidade), mas a liberdade de expressão é invocada para justificar o que se deve chamar pornografia ou exibicionismo. [...] O apelo à liberdade, inscrito nos direitos do homem, serve de cobertura a formas de licenciosidade [...]." (Moral em desordem: um discurso em defesa do ser humano, p. 42).
Há um discurso perverso, segundo o qual, amparada na proibição à censura, a imprensa se dá o poder de fazer tudo, absolutamente tudo o que lhe for mais conveniente – entenda-se lucrativo –, inclusive cercear nossa liberdade de ler ou assistir programas que nos informem, contribuam para nossa educação e formação cultural, sempre respeitando valores éticos e sociais (art. 221, I e IV, da CF). Eu e você não podemos dirigir em velocidade acima da permitida, não podemos ouvir música em alto volume na madrugada, porque nossos direitos não são absolutos, esbarram nos dos outros. Contudo, somos diariamente obrigados a ouvir a Sônia Abrão, a Luciana Gimenez, a Ana Maria Braga e o Britto Jr. falando ao telefone com um seqüestrador ou opinando, com ar de autoridade, sobre segurança pública. Além disso, somos obrigados a ouvir um Zé Datena chamar pessoas de “imbecis”, como se fosse o dono da sabedoria, do discurso certo, verdadeiro arauto da moral e dos bons costumes. Pornografia pura...
Estava certo o comandante da Polícia Militar paulista – o que não apaga a enorme lambança que lá se consumou –, ainda que tivessem atirado no Histrião de Santo André, teriam sido duramente criticados. Não há escapatória para a fome de tragédia na busca pela audiência, afinal as empresas televisivas, dentre outras, vivem de lucros e, numa competição em que os fins justificam os meios, quanto mais tragédia melhor.
"A capacidade reprodutora de violência dos meios de comunicação é enorme: na necessidade de uma criminalidade mais cruel para melhor excitar a indignação moral, basta que a televisão dê exagerada publicidade a vários casos de violência ou crueldade gratuita para que, imediatamente, as demandas de papéis vinculados ao estereótipo assumam conteúdos de maior crueldade e, por conseguinte, os que assumam o papel correspondente ao estereótipo ajustem sua conduta a estes papéis." (ZAFFARONI, Eugenio Raúl. Em busca das penas perdidas. p. 131).
É de se cogitar se outro não teria sido o desfecho, caso a polícia abandonasse o local, recusando-se a figurar no centro do picadeiro de um circo que já havia sido montado. Enquanto houver quem lhes dê atenção, lindembergs se multiplicarão dia após dia, na tentativa de exibir sua dor e, assim, corresponder da melhor forma possível ao papel que o olhar das câmeras dele espera. Com isso, diante da plena impossibilidade de se cuidar das obsessões e patologias de cada uma das pessoas que compõem a sociedade, deduz-se que o que deve ser contido é justamente o olhar dessas câmeras sedentas de tragédia. Instrumentos legais para isso não faltam, o que leva a crer que o que não há é coragem de enfrentar a inquisição e por ela também ser queimado na fogueira, sob acusação de bruxaria.
Barroso da Costa
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
É mole?
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Confissão
Eu queria ser mais bonito só para ela me perceber, na verdade nem precisava ser muito atraente, bastava ela achar isso de mim. Queria que seus óvulos só pudessem ser fecundados pelos meus espermatozóides. Meu pau devia ter uma pinta saliente na ponta para lhe proporcionar um prazer inigualável, e que ele ficasse duro o tempo todo quando ela estivesse por perto. Não queria ter medo de ratos e poder matar dezenas deles aos bicudos para protegê-la. Precisava ser mais inteligente, para ter um emprego melhor, ganhar mais e poder jogar fora o rote e implantar dentes de louça. Fazer um transplante de cabelos para esconder a calvície que avança. Comprar um terno e um carro esportivo. Poder levá-la a Paris, Luxemburgo, Praga, Egito e onde mais ela quisesse conhecer. Eu já devia ter lido mil livros e saber falar alemão. Eu tinha que ser menos branco, mais alto, mais sério, mais compenetrado e menos desastrado. Ter olhos glaucos, nariz fino, ombros largos, mãos macias e o cabelo liso. Teria que parar de fumar, malhar duas vezes por dia, comer só salada e entender de vinho. Morar na zona sul em uma cobertura triplex e a convidar para jantar, ela iria querer viver comigo. Queria que meu sobrenome fosse Loyola, para ela desejá-lo, para ocupar um lugar de destaque nas colunas sociais. Devia mesmo era ser um sujeito famoso, ator, cantor, cirurgião plástico, político – político não –, empresário e ter o meu nome todos os dias no jornal. Eu tinha que ser amigo íntimo do seu psicanalista. Ter salvado a vida da sua mãe, ser chefe do seu pai e ex-colega do seu irmão. Eu tinha que ter uma marca de tiro nas costas e um dragão tatuado no bíceps. Precisaria dormir oito horas por noite, assim não ficaria com essas olheiras mórbidas. Fazer a barba diariamente, usar perfumes caros, manter as unhas sempre aparadas, o cabelo cortado e as roupas engomadas. Não rir de piadas imbecis e aprender a fazer comentários inteligentes sobre coisas idiotas. Parar de usar drogas e passar a aprecias pinturas, ópera e teatro. Eu queria ser um homem mais seguro e honesto, só para ela confiar em mim. Eu a queria tanto que seria melhor que ela não existisse, assim, eu poderia ser eu mesmo, por isso eu a matei.
Robert de Andrade Oliveira
Robert de Andrade Oliveira
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Cartão atrasado
Antes que eu me perca no labirinto do tempo,
Tentando criar um sistema diferente do convencional,
Onde ele (o tempo) não é importante, mas apenas um detalhe
Que não possa determinar ao certo quando foi,
Por que pode ter sido em qualquer parte do tempo...
Antes que eu deixe esse tempo convencional passar
E acabe perdendo as coisas e, principalmente,
As pessoas que mais amo...
Aceita esse cartão como convencional
Feliz Natal, aniversário ou carnaval!
Fábio Almeida
Tentando criar um sistema diferente do convencional,
Onde ele (o tempo) não é importante, mas apenas um detalhe
Que não possa determinar ao certo quando foi,
Por que pode ter sido em qualquer parte do tempo...
Antes que eu deixe esse tempo convencional passar
E acabe perdendo as coisas e, principalmente,
As pessoas que mais amo...
Aceita esse cartão como convencional
Feliz Natal, aniversário ou carnaval!
Fábio Almeida
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Inícios
E então eu acordei e percebi que ele me aborrecia. Há anos ele me fazia feliz. trazia chá ou café na cama, mas hoje acordei percebendo que já fazia duas semanas que ele não fazia questão nem de me cobrir e de me acordar com carinho. Mau sinal.
Eu enjôo fácil das coisas, no início fico com tudo que posso, vou todos os dias ao mesmo café, bebo todos os dias a mesma batida de morango com leite. Mas um dia o gosto do morango com leite me enjoa, mesmo que aquele seja o único lugar do universo que venda batida de morango com leite pelo mesmo preço durante o ano inteiro. Exatamente como se não houvesse época do morango.
E então eu descobri que talvez eu viva de fases e que isso é muito normal. Todos os dias eu acordo pensando no que posso fazer de diferente do que fiz ontem. A primeira coisa é sair ou três horas antes da cama ou um minuto depois, às sete e quarenta e seis, porque ontem foi às sete e quarenta e quatro. Simplesmente me recuso a sair em uma hora tão redonda quanto faltando 1/4 de hora para as oito.
E então eu comecei a fumar e saquei que tudo que a gente precisa pra fazer as coisas se tornarem rotineiras e pararem de incomodar tanto a nossa mente todos os dias é insistindo no que elas têm de ruim. É porque não existe nada pior do que fumar. É uma fumaça quente que invade sua boca e queima seus alvéolos pulmonares e você só precisa ser um pouquinho sensível pra sentir isso. Você tem que insistir no erro.
Mas então não deu pra viciar no que ele me aborrecia. Eu insisti e desisti. Dizem que no início tudo é perfeito. Acho que descobri, então, que eu tinha um único vício que mantinha toda minha rotina e que me trouxe de volta - ainda que apenas por alguns instantes - à realidade e à sanidade: os inícios, eu preciso dos inícios e definitivamente me esqueço de como foram os finais. Sim, senão jamais começaria de novo.
Cind Canuto
Eu enjôo fácil das coisas, no início fico com tudo que posso, vou todos os dias ao mesmo café, bebo todos os dias a mesma batida de morango com leite. Mas um dia o gosto do morango com leite me enjoa, mesmo que aquele seja o único lugar do universo que venda batida de morango com leite pelo mesmo preço durante o ano inteiro. Exatamente como se não houvesse época do morango.
E então eu descobri que talvez eu viva de fases e que isso é muito normal. Todos os dias eu acordo pensando no que posso fazer de diferente do que fiz ontem. A primeira coisa é sair ou três horas antes da cama ou um minuto depois, às sete e quarenta e seis, porque ontem foi às sete e quarenta e quatro. Simplesmente me recuso a sair em uma hora tão redonda quanto faltando 1/4 de hora para as oito.
E então eu comecei a fumar e saquei que tudo que a gente precisa pra fazer as coisas se tornarem rotineiras e pararem de incomodar tanto a nossa mente todos os dias é insistindo no que elas têm de ruim. É porque não existe nada pior do que fumar. É uma fumaça quente que invade sua boca e queima seus alvéolos pulmonares e você só precisa ser um pouquinho sensível pra sentir isso. Você tem que insistir no erro.
Mas então não deu pra viciar no que ele me aborrecia. Eu insisti e desisti. Dizem que no início tudo é perfeito. Acho que descobri, então, que eu tinha um único vício que mantinha toda minha rotina e que me trouxe de volta - ainda que apenas por alguns instantes - à realidade e à sanidade: os inícios, eu preciso dos inícios e definitivamente me esqueço de como foram os finais. Sim, senão jamais começaria de novo.
Cind Canuto
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
A Fuga
Caí num monte de lixo, era noite, um gato passou por cima de mim, arranhando meu rosto, um gosto ferruginoso enchia minha boca, cuspi, faltava um incisivo, os tornozelos formigavam e os pulsos ardiam nos pontos em que estavam vermelhos pela marca das cordas.
Não dava tempo. Ouvi vozes, passos apressados e cliques de automáticas. Levantei, tropecei numa das latas de lixo e comecei a correr.
Ganhei uma das vielas, tomei o beco à esquerda, entrei num barraco, um velho inchado semi-vivo semi-morto assistia à televisão num sofá de couro velho coberto por uma manta de retalhos coloridos, derrubei uma garrafa e pulei na janela que ficava atrás do velho, caí por mais tempo que esperava, o pé doeu, olhei para cima, pude ver o clarão que saiu do cano pouco antes de ouvir o tiro que pegou na parede ao lado de minha cabeça.
- Pega o desgraçado...
Escorreguei na areia, derrubei um menino que brincava numa bicicleta, a perna ardeu, estava escuro, choro, ganhei outro beco, continuei descendo, ouvia quatro pés correndo de chinelos, deviam ser havaianas, outro estampido, ardor no ombro direito, queimando muito, a boca seca, mais um barracão, família jantando, retrato esmaltado de um casal de negros sobre a janela através da qual saltei, quintal com cachorro preso, latidos, barulho de pratos, panelas, colheres, copos, mesa, gente caindo.
- Sai pra lá velha... Vai que eu já vou. Pega logo o filha da puta, antes que chegue no asfalto!
Gritos de mulher, latidos, algumas bananeiras, corri entre elas, caí num barranco, o gosto de ferrugem continuava, o pé doía, mais um tiro, o pescoço ficou preso, varais, uma laje, mais um salto.
- Tô vendo, tô vendo!
Outro tiro, que passou zunindo e ricocheteou no asfalto que atravessava, as quatro havaianas vinham novamente juntas, mais dois tiros, a panturrilha, não podia parar, minha filha, minha esposa, estava difícil correr, não pagaram o resgate, outra viela muito escura, ratos, ratos, um muro, tentei subir, as havaianas pararam, olhei pra trás, a sombra de dois homens, uma gargalhada, um estampido seco, o gosto de ferrugem.
Barroso da Costa
Não dava tempo. Ouvi vozes, passos apressados e cliques de automáticas. Levantei, tropecei numa das latas de lixo e comecei a correr.
Ganhei uma das vielas, tomei o beco à esquerda, entrei num barraco, um velho inchado semi-vivo semi-morto assistia à televisão num sofá de couro velho coberto por uma manta de retalhos coloridos, derrubei uma garrafa e pulei na janela que ficava atrás do velho, caí por mais tempo que esperava, o pé doeu, olhei para cima, pude ver o clarão que saiu do cano pouco antes de ouvir o tiro que pegou na parede ao lado de minha cabeça.
- Pega o desgraçado...
Escorreguei na areia, derrubei um menino que brincava numa bicicleta, a perna ardeu, estava escuro, choro, ganhei outro beco, continuei descendo, ouvia quatro pés correndo de chinelos, deviam ser havaianas, outro estampido, ardor no ombro direito, queimando muito, a boca seca, mais um barracão, família jantando, retrato esmaltado de um casal de negros sobre a janela através da qual saltei, quintal com cachorro preso, latidos, barulho de pratos, panelas, colheres, copos, mesa, gente caindo.
- Sai pra lá velha... Vai que eu já vou. Pega logo o filha da puta, antes que chegue no asfalto!
Gritos de mulher, latidos, algumas bananeiras, corri entre elas, caí num barranco, o gosto de ferrugem continuava, o pé doía, mais um tiro, o pescoço ficou preso, varais, uma laje, mais um salto.
- Tô vendo, tô vendo!
Outro tiro, que passou zunindo e ricocheteou no asfalto que atravessava, as quatro havaianas vinham novamente juntas, mais dois tiros, a panturrilha, não podia parar, minha filha, minha esposa, estava difícil correr, não pagaram o resgate, outra viela muito escura, ratos, ratos, um muro, tentei subir, as havaianas pararam, olhei pra trás, a sombra de dois homens, uma gargalhada, um estampido seco, o gosto de ferrugem.
Barroso da Costa
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Mais uma festona do Tio Camilo
Amigos,vamos fazer uma festa no Quiantal Pampulha, cedido pelos nossos amigos Nivaldo e Urlenise, para reunir amigos, ouvir musica boa ao vivo (MPB, pop rock e rock classicos), conhecer o novo site da Jararaca Alegre, ganhar exemplares da Jararaca e da revista Os Impublicaveis (os novos parceiros da cobrinha), degustar pratos preparados especialmente para nós, enfim, uma tarde/noite de muita alegria e confraternização.
O Nivaldo preparou um cardápio e vamos ter a participação das bandas Namastê (Flavio Boca e banda) com pop rock e MPB, Alligators (Cabeto e banda), com rock anos 60 e jovem guarda, e canjas das bandas covers de BH.
O convite custará R$ 50,00 e inclui o cardapio anexo, mais as revistas. Como não temos um ponto de vendas, basta depositar o valor na seguinte conta: Banco do Brasil / agência 3014-7/ conta corrente 24137-7, e apresentar o recibo na entrada da festa (será o ingresso). Pedimos confirmar o depósito retornando este e-mail, para que possamos saber ao certo quantas pessoas estarão presentes. Qualquer duvida basta responder este e-mail, e se quiser confirmar presença por telefone basta ligar para o Quintal: (31) 3443-5559 ou comigo: (33) 9191-0021.
Espero contar com você na nossa festa, estamos caprichando muito.
Obrigado e até lá
Camilo Lucas
Cardápio

quinta-feira, 7 de agosto de 2008
4 mini-contos super rápidos
1
Meu amor me deixou no dia do matrimônio.
Ela realmente me amava.
Amava tanto que sabia que casamento não era a minha praia.
2
Sou viciado em Lexotan. O nome deve vir do francês: Le Xoxotan.
Além de calmante, também pode ser a da amante.
3
Quando eu era criança não quis beijar minha avó porque ela era muito enrugada.
“Ô moleque, você ainda vai beijar muita pelanca mais feia e fedida que cara da vovó”, disse-me sabiamente, com um riso frouxo.
4
“Papai, eu vou me casar”.
“Vê se não esquece de dar descarga”.
Robert de Andrade Oliveira.
Meu amor me deixou no dia do matrimônio.
Ela realmente me amava.
Amava tanto que sabia que casamento não era a minha praia.
2
Sou viciado em Lexotan. O nome deve vir do francês: Le Xoxotan.
Além de calmante, também pode ser a da amante.
3
Quando eu era criança não quis beijar minha avó porque ela era muito enrugada.
“Ô moleque, você ainda vai beijar muita pelanca mais feia e fedida que cara da vovó”, disse-me sabiamente, com um riso frouxo.
4
“Papai, eu vou me casar”.
“Vê se não esquece de dar descarga”.
Robert de Andrade Oliveira.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Socorro, eu não estou sentindo nada
Tudo havia começado logo pela manhã, enquanto tomava meu café.
Sentia-me meio estranho e, mal levei a xícara à boca, veio uma pontada pouco abaixo das costelas. A dor foi tão aguda que me enverguei, colocando a mão onde eu imaginava ter-se dado a estocada. A xícara quase me escapou.
Endireitei-me, ajeitei a camisa nas calças, bebi meu café num gole, peguei o paletó e tomei o rumo da garagem.
Descendo pelas escadas, notei que o desconforto permanecia. Do lado esquerdo, abaixo das costelas, as coisas não iam bem.
Aquilo me preocupava. Se a coisa se agravasse, talvez nem desse tempo de tomar uma atitude.
Passei pela faxineira, que me cumprimentou. Olhei para ela, letárgico, e balbuciei alguma coisa que estava longe de ser um cumprimento.
Ela perguntou se me sentia bem. Balancei a cabeça, afirmativamente, já entrando no carro.
Fazia calor, mas eu estava frio por dentro.
Afrouxei a gravata e dei a partida.
Saindo da garagem, liguei o rádio. Parecia que as coisas melhoravam. Já respirava melhor.
Cinco quarteirões à frente, uma nova pontada, muito pior que a primeira.
A boca secou instantaneamente. Tinha de voltar para a casa, era minha única esperança.
O suor descia pelas têmporas. Os pensamentos se cruzavam numa velocidade impressionante, mas as pessoas na rua pareciam estar em slow motion. Encerrei-me numa espécie de autismo.
No rádio, a Gal, com sua voz aguda como minha dor, cantava: “Socorro, eu não estou sentindo nada...”.
Tive ódio dela, mas não tinha tempo de tentar desligar o rádio.
Passei por um cruzamento sem parar. Olhando de lado, pude ver um motorista de táxi que lentamente projetou sua cabeça pela janela, ergueu o dedo médio da mão esquerda, mexendo a boca de uma forma raivosa. Mas eu não ouvia nada, além de sons guturais e desconexos.
Eu já quase não conseguia dirigir, meus braços pareciam sem controle. A dor tomava todo meu tórax e minhas entranhas faziam um barulho esquisito, borbulhante.
Comecei a salivar.
Entrei na garagem, parei o carro meio enviesado e subi, cambaleante, as escadas do prédio, sem responder ao que tinha me perguntado a faxineira, que parecia assustada.
Parei diante da porta dos fundos. O molho de chaves teimava em cair das minhas mãos trêmulas e suadas, mas consegui entrar no apartamento e chegar ao banheiro.
Apoiei-me na pia e, semi-consciente, caí sentado no vaso.
Puta-que-pariu, que dor de barriga...
Barroso da Costa
(*) Texto publicado na última edição da revista Jararaca Alegre, by Tio Camilo
Sentia-me meio estranho e, mal levei a xícara à boca, veio uma pontada pouco abaixo das costelas. A dor foi tão aguda que me enverguei, colocando a mão onde eu imaginava ter-se dado a estocada. A xícara quase me escapou.
Endireitei-me, ajeitei a camisa nas calças, bebi meu café num gole, peguei o paletó e tomei o rumo da garagem.
Descendo pelas escadas, notei que o desconforto permanecia. Do lado esquerdo, abaixo das costelas, as coisas não iam bem.
Aquilo me preocupava. Se a coisa se agravasse, talvez nem desse tempo de tomar uma atitude.
Passei pela faxineira, que me cumprimentou. Olhei para ela, letárgico, e balbuciei alguma coisa que estava longe de ser um cumprimento.
Ela perguntou se me sentia bem. Balancei a cabeça, afirmativamente, já entrando no carro.
Fazia calor, mas eu estava frio por dentro.
Afrouxei a gravata e dei a partida.
Saindo da garagem, liguei o rádio. Parecia que as coisas melhoravam. Já respirava melhor.
Cinco quarteirões à frente, uma nova pontada, muito pior que a primeira.
A boca secou instantaneamente. Tinha de voltar para a casa, era minha única esperança.
O suor descia pelas têmporas. Os pensamentos se cruzavam numa velocidade impressionante, mas as pessoas na rua pareciam estar em slow motion. Encerrei-me numa espécie de autismo.
No rádio, a Gal, com sua voz aguda como minha dor, cantava: “Socorro, eu não estou sentindo nada...”.
Tive ódio dela, mas não tinha tempo de tentar desligar o rádio.
Passei por um cruzamento sem parar. Olhando de lado, pude ver um motorista de táxi que lentamente projetou sua cabeça pela janela, ergueu o dedo médio da mão esquerda, mexendo a boca de uma forma raivosa. Mas eu não ouvia nada, além de sons guturais e desconexos.
Eu já quase não conseguia dirigir, meus braços pareciam sem controle. A dor tomava todo meu tórax e minhas entranhas faziam um barulho esquisito, borbulhante.
Comecei a salivar.
Entrei na garagem, parei o carro meio enviesado e subi, cambaleante, as escadas do prédio, sem responder ao que tinha me perguntado a faxineira, que parecia assustada.
Parei diante da porta dos fundos. O molho de chaves teimava em cair das minhas mãos trêmulas e suadas, mas consegui entrar no apartamento e chegar ao banheiro.
Apoiei-me na pia e, semi-consciente, caí sentado no vaso.
Puta-que-pariu, que dor de barriga...
Barroso da Costa
(*) Texto publicado na última edição da revista Jararaca Alegre, by Tio Camilo
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Carta a um amigo descuidado
Prezado Tavinho Lilás,
Veja bem. O Tulinho Fronha não deu uma de homem para entrar no mundo artístico. Ele foi muito homem, pois entrou veado. E continua veado. Ele não é como aqueles veados que dão uma de homem, mas depois, se revelam uns grandes veados.
Se eles fossem homens mesmo, entrariam como homem e continuariam como homem, ou então, fariam como o Tulinho Fronha, entrariam como veados e continuariam como veados. Aí sim, poderíamos dizer que eles eram homens, porque tem que ser muito homem para mostrar logo de cara que não é homem, que é veado.
Quanto a você, por favor, não vá decepcionar-me. Não vá querer dar uma de homem, virando veado, senão todos vão saber que você não é homem, é veado. Já que começou como homem, continue fingindo que é homem, pra ninguém saber que você é veado.
Lembra-se daquele cantor inglês e o trabalhão que ele teve para provar para todo mundo que era veado e ninguém queria aceitar, porque todo mundo queria que ele fosse homem e ele querendo provar para todo mundo que não era homem, que era veado?
Desculpe-me tocar nesse assunto delicado, mas você sabe, se você fosse homem e não veado, o assunto estaria encerrado, mas você dá uma de homem, sendo veado, aí fica complicado.
Espero que siga meus conselhos. Um abraço de seu amigo,
Bezerra Tilão.
Obs: Fique tranqüilo. Na sua casa, todos ainda pensam que você é gato, e não lebre.
Fábio Almeida
Veja bem. O Tulinho Fronha não deu uma de homem para entrar no mundo artístico. Ele foi muito homem, pois entrou veado. E continua veado. Ele não é como aqueles veados que dão uma de homem, mas depois, se revelam uns grandes veados.
Se eles fossem homens mesmo, entrariam como homem e continuariam como homem, ou então, fariam como o Tulinho Fronha, entrariam como veados e continuariam como veados. Aí sim, poderíamos dizer que eles eram homens, porque tem que ser muito homem para mostrar logo de cara que não é homem, que é veado.
Quanto a você, por favor, não vá decepcionar-me. Não vá querer dar uma de homem, virando veado, senão todos vão saber que você não é homem, é veado. Já que começou como homem, continue fingindo que é homem, pra ninguém saber que você é veado.
Lembra-se daquele cantor inglês e o trabalhão que ele teve para provar para todo mundo que era veado e ninguém queria aceitar, porque todo mundo queria que ele fosse homem e ele querendo provar para todo mundo que não era homem, que era veado?
Desculpe-me tocar nesse assunto delicado, mas você sabe, se você fosse homem e não veado, o assunto estaria encerrado, mas você dá uma de homem, sendo veado, aí fica complicado.
Espero que siga meus conselhos. Um abraço de seu amigo,
Bezerra Tilão.
Obs: Fique tranqüilo. Na sua casa, todos ainda pensam que você é gato, e não lebre.
Fábio Almeida
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